Não leia este texto se você não tem ansiedade, estresse ou dependência do celular
Porém, caso você já tenha experimentado períodos de ansiedade, insônia, estresse, burnout, tristeza persistente, baixa autoestima, dificuldade de concentração, solidão, dependência do celular, vício em redes sociais, necessidade excessiva de aprovação, ou aquela estranha impressão de que todo mundo está conseguindo viver melhor do que você, talvez seja melhor continuar lendo.
É claro que sentir um ou mais desses sintomas não significa, necessariamente, ter um diagnóstico de saúde mental. Mas, talvez seja um sinal de que algo merece ser observado com mais atenção. Problemas ligados ao cérebro e ao nosso equilíbrio emocional são muito mais frequentes do que costumamos admitir. E isso parece ainda mais verdadeiro em uma época em que vivemos mergulhados no mundo digital — sugados por feeds infinitos, grupos de WhatsApp, notificações incessantes e, mais recentemente, pelo uso cada vez mais indiscriminado da IA.
Segundo a Organização Mundial da Saúde, uma em cada oito pessoas no mundo convive com algum transtorno mental. O modo de vida contemporâneo — hiperconectado, acelerado e exigente — intensifica fatores de risco. O fenômeno se manifesta em todos os lugares: nas empresas, nas famílias, nas relações pessoais e também na escola. Dificuldades de aprendizado, atrasos no neurodesenvolvimento, problemas de atenção e sofrimento emocional desafiam educadores e famílias, exigindo um olhar mais atento desde a primeira infância.
Todos esses temas serão amplamente analisados aqui, em Porto Alegre, que, por uma semana, será a capital mundial do cérebro. De 1º a 7 de junho de 2026, a primeira edição da Brain Week levará conhecimento científico para além dos auditórios tradicionais, com atividades gratuitas em escolas, centros culturais, universidades, hospitais, espaços públicos e hubs de inovação. Em paralelo, de 3 a 6 de junho, o Brain Congress reunirá, no Centro de Eventos FIERGS, mais de 7 mil participantes, entre médicos, pesquisadores, neurologistas, profissionais da saúde mental, estudantes e representantes da indústria.
É uma oportunidade única para aproximar ciência e sociedade — e para lembrar que cuidar do cérebro não é uma preocupação restrita aos hospitais ou consultórios. É uma questão humana, coletiva e cada vez mais central para o futuro das próximas gerações.
Fernando Goldsztein
Fundador The Medulloblastoma Initiative
Conselheiro da Children’s National Foundation
MBA – MIT, Sloan School of Management